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jeudi 8 octobre 2015

É impossível amar por dois


O fato é que não é possível amar por dois. A verdade sobre estar junto, pequena, é que quando um não está, não está ninguém. Namorar não é dar as mãos ao meio-dia e dar as costas à meia-noite. É mais simples e mais complicado. É diferente do que pensam os metódicos: o amor não tem técnica, tem sentimento. Não são as horas do seu dia que você gasta a conversar com a pessoa. São os segundos que você sussurra "boa noite" para ela pelo telefone de madrugada. Não são as 3086954 flores que você compra para ela toda semana. É aquela roubada que você põe atrás da sua orelha depois de um dia de chuva. Não é o silêncio que você faz para deixá-la dormir sossegada no fim do dia. É o barulho dos seus gemidos de madrugada que trazem conforto. Namorar é não deixá-la esperando um sinal, de vida, de afeto ou carinho. É estar ali antes que ela acorde de manhã. É tê-la nos braços todos os dias como se fosse a última vez. É não fingir que aquela lágrima não escapou dos olhos dela. É deixá-la louca toda vez que a tocar. É entender que ela quer que você vá, por mais chato que possa ser. Porque para ela, nada é tão bom sem você do lado, ou do outro lado, para contar as novidades. Para chutar o pé de noite sem a menor intenção de te acordar, mas para acordar mesmo assim. Para te calar com beijos que não terminam. Para pegar chuva na praia em janeiro. Para ouvir chamá-la de "minha mulher" na fila do cinema. 
Mas se não é recíproco, um acaba por fazer de tudo. E ter a responsabilidade por dois é pesado demais. Pois tenha certeza: se você não aparece, ela vai dar um jeito de sumir também. Se você não cuida, ela vai dar um jeito de ser cuidada. Se você não ama, ela vai aprender a se amar sozinha. E quando ela aprender, ah rapaz... Quando ela aprender, ela vai te ensinar que amar não é buscar. É se encontrar. E ela vai se encontrar.


jeudi 1 octobre 2015

Você é alguém que eu vou guardar de qualquer jeito


Você é alguém de quem vou rir sozinha na fila do banco. Alguém que vou ter nos álbuns de foto da infância e da adolescência.  Alguém de quem vou lembrar sempre que sentir cheiro de areia da praia molhada de chuva. Alguém de quem vou contar para os meus filhos, mesmo que eles não sejam seus. Porque o amor ocupa mais da metade de mim. E você foi o meu primeiro. O meu primeiro arrepio, primeiro toque, primeira dor, primeira saudade, primeira volta, primeiro sexo, primeira morada, primeiro... E por isso você é, e sempre será, parte inevitável de mim. Por isso, mesmo que tudo o que somos acabe hoje, amanhã, daqui a 10 anos, ou nunca, o seu nome é o primeiro parágrafo da minha vida. E para contar uma história, a gente sempre passa pela introdução. E de vez em sempre, costuma ser nossa parte preferida. Então mesmo que não moremos em uma casinha amarela em Santa Teresa, com nossos 4 filhos, a minha filha vai saber quem foi o primeiro sonho da minha adolescência. Mesmo que um dia daqui a muitos anos a gente se esbarre e eu te convide para o meu casamento, eu ainda vou lembrar do dia que você jogou pétalas de rosa no meu cabelo e fingiu se casar comigo em silêncio. Mesmo que você se torne um musico famoso e nunca mais possamos nos ver, ainda assim, vou guardar aquela melodia que você fez só para mim, numa tarde de dezembro. E mesmo que o mundo dê todas as voltas possíveis, o tempo da gente não vai mudar. O que fomos e o que somos até agora é inapagável. Estamos guardadinhos para sempre. Você é parte de mim como sou eu sua. Nossa história é recíproca, enquanto nosso amor também for.


jeudi 17 septembre 2015

Pela última vez


É chato, eu sei. Essa coisa de sempre voltar a falar. Mas prometo que não vou mais fazer isso com frequência. Essa é uma das últimas vezes que lhe escrevo. E não é ameaça nem despedida, meu bem. Apenas hoje me deu vontade. E eu fiz o que amo como há muito tempo não faço. Escrevi com uma caneta em uma folha de papel, o que ando digitando nos teclados. Foi difícil apenas até a hora em que a tinta escapou da ponta. Depois desse primeiro contato, tudo foi fluindo naturalmente. E deu saudade daquele tempo. Daquele tempo em que os rabiscos eram rotina. E por falar em rotina, como vão as coisas? "A gente" sumiu por um tempo... Talvez tenha sido justamente pela falta dele. O que você tem feito? Por onde anda? Com quem conversa? Que músicas tem tocado? Sinto falta, sabe? De ficar horas acompanhando o desenho dos seus dedos no violão. Se eu pudesse, diria que nem me lembro da última vez que o fiz. Mas é claro que me lembro. Porque eu me lembro de quase todos os detalhes e grandezas do que fomos. Lembro até de antes de "sermos" de fato. Mas uma lembrança dessas que apertam o peito de saudade é a sua presença. É ausência da dor de se sentir sozinho ao lado de quem se ama. É o conforto de saber que você estava ali, independente de qualquer coisa, para cuidar de mim depois dos temporais. Só que hoje tenho carregado mesmo uma sombrinha comigo, para o caso de chover. E tem chovido tanto... Mas os compromissos são muitos, eu entendo. Talvez a gente assista TV, sábado à tarde, como costumávamos. Mas, sabe, só quando sua agenda estiver livre mesmo. Não vou incomodar muito mais, sim? Talvez eu até desligue o wi-fi de vez em quando, para controlar a vontade. Mas vou dar meu jeito, não se preocupe. E pouco a pouco, talvez eu me camufle ao teu papel de parede. E talvez eu mesma me desligue de você. Mas não desmarque seus compromissos com o mundo lá fora. Tenho certeza de que são importantes. E se na ida, subir à cabeça que está se esquecendo de uma parte essencial, volte para me buscar, para me arrancar da parede, do cheiro dos lençóis ou de algum disco de música. Mas se não, então vá, só siga em frente. Espero não assistir, caso assim for (meu maior medo é não superar qualquer pesar desse mundo). Não leve à mal, não é egoísmo. É só generosidade de amor próprio. É, eu o encontrei faz uns dias. E ele é tão melhor do que eu imaginava... Suspeito que já o conheça há bastante tempo. Não duvidaria ser ele o motivo dessa coragem de pegar a caneta e falar, pela última vez, que eu te amo. Perdidamente, incondicionalmente, indescritivelmente. E vou lutar por você. Mas se não for o suficiente, junto o pouco que sobrar e adiciono ao prazer de amar à mim. Até porque, no fim das contas, foi você mesmo que um dia falou que meu sorriso era o mais bonito do mundo, não é? Concordo.


jeudi 10 septembre 2015

A porta está aberta


Às vezes penso que você vai pegar a bicicleta e sumir de uma hora para outra. Sumir daqui, da minha vida, do mundo. Ou pelo mundo. E que vai assim, sem aviso prévio, sem flores de despedida ou bilhete na geladeira. Porque você nunca se foi, e começo a achar ser sorte demais tê-lo por tanto tempo. Por isso, penso que um dia vou abrir o guarda-roupas e só vou encontrar aquela camisa sua-minha que a gente divide. Mas não pense que é ideia. Melhor mesmo é ficar. Só imagino ser sonho uma vez ou outra. Que alguma hora terei que sair por aí procurando-o pelas pegadas da sua música. E se lhe alcançar, será sorte em dobro! Mas o que queria mesmo era não perdê-lo para seus sonhos jamais. Queria eu ser seu maior sonho de fato. Já até andei fazendo minhas economias para arranjar uma viagem surpresa para nós dois. Ou para comprar uma casa onde quisermos no mapa mundi. E assim, aos poucos, vou encaixando minha vida na sua, meus sonhos nos seus, inventando espaço onde ainda pode não ter, para caber, com jeitinho, em você. Em você, que já me ofereceu o abraço como moradia e o amor como alimento. Você já me confiou as chaves; só falta entrar em casa. A porta está aberta. Mas se chegar, por favor, fique.

jeudi 6 août 2015

Eu vou chegar


Considerando a hipótese de que o que se tem falado venha a se apresentar em nossas vidas, daqui a um ano eu vou bater na sua porta. Vai ser bem cedo. Você vai acordar, provavelmente de cuecas, como você costuma dormir. Vai dar uma mexida no cabelo e esfregar os olhos, enquanto caminha em direção à porta. E vai abri-la com timidez. Eu vou de surpresa, então você não vai esperar me ver com uma mochila nas costas e um rabo de cavalo às 6 horas da manhã de uma sexta-feira como qualquer outra no seu apartamento. Mas eu vou. E quando você abrir aquela porta, eu não vou pensar em mais nada além de correr para o s seus braços e te encher dos beijos que eu não vou ter te dado todos aqueles dias em que estive longe. Depois a gente sabe, a roupa do corpo vai ser um peso desnecessário, e as cortinas deverão ficar algumas horas fechadas. Só eu e você. E depois eu posso fazer o almoço, enquanto você me faz carinho. À tardinha, podemos passear para você me mostrar a cidade, as pessoas. À noite, pedimos um japa e "assistimos" ao filme que estiver passando na TV. Se tiver TV. Senão, tudo bem, a gente faz o filme. Você compõe a trilha sonora e eu escrevo o roteiro. E quando estivermos cansados, já será de manhã novamente. Se quiser a gente repete, senão se reinventa. Mas pode ter certeza: eu vou chegar. E vou chegar mais vezes, mesmo que depois eu vá embora. Até você enjoar. Aí eu chego e fico pra sempre. Me espera, moço. De carro, avião ou bicicleta eu vou chegar. E não esquece de deixar as chaves debaixo do tapete, caso você queira que eu te acorde de manhã. Até breve. 



vendredi 31 juillet 2015

Sobre o fim do que não acaba nunca


Nunca mais escrevi sobre você. Pra falar a verdade, já faz algum tempo que venho tentando não escrever sobre coisa alguma. É porque eu sei que não adianta fugir, qualquer trecho que eu tente escrever sem que estejas presente nas entrelinhas, é em vão. Qualquer frase que fale de amor, ou de saudade, ou de qualquer coisa que eu contenha em mim, por certo acabará entrando pra coleção cuja você é o destinatário, ou protagonista. Você sempre foi meu personagem favorito. Você sempre foi minha maior extravagância.

Nunca fui boa em começar textos, você sabe disso. Eu sempre comecei pelo final. Mas se você estiver lendo isso agora, quero te dizer que hoje, eu fiz diferente. Não quis saber como acabaria, não quis saber se faria sentido, porque afinal, se tem uma coisa que aprendi nesses últimos  meses - desde que você saiu por aquela porta e nunca mais voltou - é que nem todo fim faz sentido. Apesar de eu sentir tanto.

É que tem fim que parece injusto. Como aqueles filmes lindos que são uma droga no final, porque não tem um fim. Quer dizer, tem, mas, um fim mal resolvido, um fim que não cabia, um fim deslocado, como um ponto final no meio da frase. Nem todo ponto final é justo. Mas, também, nem todo ponto final significa, de fato, um fim. Existe sempre uma outra linha, outra página. Talvez, um outro livro.

As palavras podem terminar em uma frase, mas elas nunca acabam. E nessa existência não aplicada cabe tanta coisa. Terminar um amor é como um poema que termina na metade, feito aquele livro "Uma aflição imperial". Feito os olhos de ressaca de Capitu, que terminaram com o fim de Dom Casmurro, sem nunca revelarem a verdade. É muito difícil terminar uma coisa que não acaba. Cê tá me entendendo? Espero que sim.

É que hoje eu me peguei pensando, entre todas essas lições de que nem tudo é como a gente quer, que também, nem tudo deixa de existir porque a gente deixa de acreditar. O fato de alguém ser ateu não vai mudar a existência de Deus. O fato de eu rejeitar a teoria copernicana, não vai fazer com que a Terra pare de girar. Uma rosa sempre vai ser uma rosa, independente de como a chamarmos. Da mesma forma, o amor não acaba só porque a gente acabou.

O fim do amor é triste, porque existe velório e luto, mas não existe morte. O que existe, é o desespero de tentar enterrar vivo um sentimento, que nunca para de rebater.
Hoje eu acordei e me lembrei de você. Hoje eu decidi escrever e achei que conseguiria colocar um ponto final...

Não consegui






jeudi 30 juillet 2015

A gente tá ali, guardadinho


Fazia tempo que eu não chorava, assim, de sentir lá no fundo mesmo. Mas ontem foi inevitável. Acho que tudo o que o tempo economizou transbordou de uma vez. E doeu. Talvez não uma dor necessária, mas doeu. E doeu o que passou e o que está por vir. Porque de todos os caminhos, a vida decidiu falar do mais difícil. Decidiu falar da distância, do tempo em forma de saudade e dividiu nosso conceito de felicidade ao meio, como uma simples laranja. Talvez muitos tenham realmente resumido tudo isso a duas partes de uma esfera. Mas eu, ah meu bem, eu não. Eu amplifico, não resumo. E pra mim, há tantas outras partes além de duas metades... diferentes na forma, no tamanho, no peso. E talvez a maior dor seja minha vista breve do que já tenho, ou do que penso ter. Para mim, o único resumo possível é achar uma parte que complete a sua. Sim, "a outra metade da laranja". É, é clichê. Mas quem nunca? Eu sempre. Sempre coloquei o amor na frente de todas as outras partes. E aqui estou eu mais uma vez, priorizando esse lado da vida. E uma coisa que eu não tenho é medo. Não quanto a isso. Porque talvez eu tenha aprendido cedo demais que esse é meu maior propósito. E não o nego, nunca tentei negar. Ele é meu lado mais bonito. Mas talvez o mais difícil também. Por que ao mesmo tempo em que minha prioridade é nobre, ela é arriscada. Costumo sonhar mais do que deveria, e ponho em jogo o resto da minha felicidade em troca de duas ou três palavras de "sossego". Mas não cessa. Não tem cessado. E em cada curva dos teus sorrisos eu tento não ser um esquecimento inevitável. Tenho guardado os dias com zelo, como se por descuido, pudesse perder algum detalhe importante. E parece que tudo é recíproco, mas depois desses dias tenho perdido a calma. Coloco a mesa depois do café, e lavo a louça antes de sujar. Mas você sabe, é tudo drama. Talvez um pouco mais que isso. E não é só a distância. É o tempo. O nosso tempo de calmaria em contraste com essas hipóteses que a vida nos dá. Andei pensando, e sabe, não quero passar a vida a te procurar nos jornais, nas músicas, na TV. Nem esperando que você me encontre na secretária eletrônica. Eu quero que a gente já tenha se achado, aqui e agora. Porque, amor, eu já pintei as paredes da nossa futura casa, naquela rua sem nome, em alguma cidade por aí. E a gente tem até um jardim particular. Coube tudo lá, da cama ao banho. A vista é linda, de dentro e de fora. mas eu já escolhi a mais bonita: eu também já te pintei lá. E a música não será um problema, nossas artes combinam. O resto eu deixo por sua ou por nossa conta; o pincel está ao lado da tinta fresca. Pinte quando quiser, como quiser. Não importam os traços, só o pintor. E sobre a reciprocidade, sou sua e você é meu, enquanto pertencer. Mas nós, ah nós somos do mundo, meu bem. E o mundo tem me contado tanto sobre a gente. A vontade só cresce, mas eu espero. A gente tá ali guardadinho. O resto é o resto.




vendredi 24 juillet 2015

Amor X Orgulho



Orgulho e amor não podem coabitar. Foi o que pensei numa tarde dessas, assistindo um pôr do sol de julho, enquanto a luz do dia se esvaia lentamente, dando lugar à lua. Pensei em você, e nas suas teorias bonitas.

É que a gente aprende desde cedo que, às vezes, precisa abrir mão de algumas coisas para ter outras. É o que na economia chamamos de trade-off. É o que no cristianismo chamamos de renúncia. É o que na vida chamamos de escolhas. Mais disso e menos daquilo. Perde daqui, ganha dali. E segue.

Nem tudo na vida é conciliável. Uma hora as coisas batem de frente e a gente precisa ficar de algum lado. Chega um momento em que a gente precisa escolher que lado da corda puxar pra não ficar em um cabo de guerra eterno que ninguém quer apaziguar. Nós dois bem sabemos disso. A gente sempre precisa abrir mão de algo, principalmente, quando se trata de amor. Pra amar, muitas vezes, temos que abrir mão de nós mesmos. É preciso ceder, meu bem.

É preciso esvaziar-se de si pra deixar o outro entrar. É preciso reduzir suas certezas pra deixar espaço pras do outro. Amor e orgulho são antônimos porque amar é ceder, você sabe. Amar é entrega que não visa retorno. Orgulho é recuo. Amor é abrir mão de ter razão sempre. Orgulho é razão que nem existe. Amor é pensar no outro. Orgulho é pensar em si.

E às vezes, eu penso que a gente tinha tanto pra ser amor. Mas a gente é cabo de guerra. A gente quer a mesma coisa, mas cada um puxa pra um lado. A gente é igual e totalmente diferente. A gente se sabe e todo mundo sabe da gente.

Eu gosto das suas frases prontas e respostas elaboradas. Eu gosto da sua simplicidade diante do meu show complexo. Gosto do brilho do teu olho que não olha mais pra mim. Gosto de você e como me desdobra quando eu me embrulho. Gosto do teu silêncio, quando eu só sei ser barulho. Gosto, mas não quero gostar, porque sentimento guardado na gaveta é entulho.

Somos direções opostas, somos corda que não cede, nem arrebenta.  Eu sou a paranoia da tua mente perturbada. Você é o meu verso bonito que só fica no papel. Eu sou o refúgio do teu olhar perdido e confuso. Você é o alvo do meu direto e certeiro.

Minha poesia dentro de ti é inspiração. Tua ausência dentro de mim é fagulho. Minha frieza pra ti é emoção. Tua fome pra mim é bandulho. Somos canto de boca, sorriso e piscar. Somos cisco no olhar que virou pedregulho. Eu sou metamorfose. Tu, exatidão. Eu sou amor. Você é orgulho.

Com amor,


jeudi 23 juillet 2015

Sobre estrelas


A infinidade de tudo me tirava o fôlego. Cogitar o eterno ciclo de algo que não começa nem termina é terrivelmente sufocante. Pus-me então a escrever para ver o que me saía daqueles sentimentos pela caneta. Uma observação: somos faíscas. Somos gerados numa aglomeração de calor, que difere de qualquer outra forma do mesmo. Formamos então nossa constituição física visível aos nossos iguais. A medida que nos tornamos experientes, nos distanciamos de certa forma dos corpos la embaixo sendo gerados sem parar, enquanto subimos infinitamente, sem certezas, sendo carregados pelo tempo. Alguns se perdem por acaso, por atraso ou por fazer caso de se perder. Chegamos a uma etapa em que é perceptível nossa dependência do calor alheio. E quanto mais se esgota e se perde esse, vamos apagando pouco a pouco da vista breve de quem vem atrás, mais brilhantes, fortes e vivos que nós. Enfim, sumimos. Um desaparecimento muitas vezes repentino a olho nu, mas carregado daquele sentimentalismo material e medo do inevitável de quem permanece ardente. Somos como faíscas, nós humanos. Na verdade uma parte equivalente à metade de nós. Se formos falar de outras metades, que falemos com imagens coerentes. Nossas almas são como estrelas, creio eu. Que minha vasta opinião se faça humilde em tão breve observação: estrelas. Estrelas são eternas. A existência física pode deixar de ser um fato e ainda assim elas estão la, inexplicavelmente suspensas, alcançáveis Alem de nossa pequena concepção do existir. Intocáveis, porem visíveis: como ficamos, em alma, dentro dos outros. Se ha mais de uma certeza que posso observar diria as duas alem da unica mais óbvia. Metade de nós é faísca. A outra metade, estrelas.

jeudi 16 juillet 2015

Você será uma saudade inevitável


Amor, estou indo. Mas eu volto. Volto assim que der. Volto pra te encher de beijos, de drama, de carinho. Você me conhece bem. Eu não sou de aguentar distâncias. Mas não precisa dedicar seu dia a dar atenção as minha bobagens. Não posso dizer que "uma hora eu canso". Eu vou lhe contar qualquer coisinha. Só não ignore, porque você também conhece meu desespero. Não vou lhe ligar chorando de madrugada, mas só vou dormir depois de um "boa noite". De longe não dá pra abraçar, mas a gente faz isso em pensamento. É verdade que já tô sofrendo um pouquinho por antecipação. Mas você me dá coragem pra viver tudo o que o mundo tá guardando pra mim. E daqui a pouco você chega. Não vai demorar, você vai ver! Só prometa que eu vou estar em cada pedacinho da sua vida, mesmo quando não fisicamente. Promete que vai lembrar de mim toda a vez que ouvir Caetano. E que vai me oferecer chocolate pelo Skype. Promete que eu vou estar nos seus planos breves ou longos. Promete que vai me escutar em teus silêncios e me calar com tua música. Promete que não vai esquecer o que as estrelas são, nem tudo o que eu te disse de importante ou não nesse tempo todo e no que virá. Promete que vai me levar pra passear na chuva quando eu não puder estar aqui. Mas acima de qualquer despedida, prometa que estará aqui me esperando em todas as chegadas, com um sorriso nos olhos e o melhor colo do mundo. Porque uma coisa é certa: não importa quantas forem as viagens, você será sempre o meu destino. 



jeudi 9 juillet 2015

Sobre breves segundos


Viajei por certo monte de minutos ontem. Hoje também, e que não surpreenda. A linha da estrada continha a antiga melodia. Lembra-se? Aquela que pode ter aparecido na trilha sonora dos filmes de Julho. Não me enganaria sobre a data. Mas que já se foram dois anos.. Estava deitada sob um céu azul cor dos olhos de alguém que vi ao contornar a calçada do bar. Aquele da praça, lembra? Eles mudaram bastante as luzes, as sombras e os ângulos de lugar por lá. Ou talvez eu tenha mudado... Não foi o dia, pois domingo estive lá novamente. Mas o caminho é o que tem de importante para a chegada. Pensei na idade que temos e em todo o verde que aquelas florestas continham. Depois, por consequência ou "humaneza", pensei em nossos filhos e em todo o verde que fugiria-lhes. "Nossos" (ri de mim mesma), que tolice! Essa minha mania de nos colocar em primeira pessoa do discurso acaba por fazer brotar sentimentos além do papel, mesmo apesar dos infinitos plurais que cercaram as interseções dos nós. "Nos colocar"... Ah! Por acaso lembrei daquelas manias, ao passar pelo casal no banco iluminado pelo poste solitário. Passei a mão no cabelo, pondo atrás da orelha disfarçadamente. Manias. Gostar e não do que via. Ele pegou as mãos dela, deu um beijo, depois outro, e depois colocou dentro do casaco dele, para aquecê-las, claro. E prosseguiu com os beijinhos curtos e ágeis, engraçadinhos. Manias. Andei tirando umas fotos também. A neblina pairava sobre as montanhas, sem encostá-las. Mas não era incerteza. Era exatamente a confiança de estar sempre ali, acariciando-as, pois sabia que se fazia necessário. Não era a falta desse tipo de convicção. Por que diferente de nossos fins? Pergunta boa de se fazer ao esquecimento. Não me leve à mal, mas tenho procurado desviar-me de quem deseja me trazer o contrário do que busco. Há dois dias eles vem tentando trazer-te à tona em palavras, cheiros, sussurros ou apelidinhos que não fogem ao familiar. Ainda estou aqui. O que foi brevemente dito dei conta em duas ou três garrafas de desilusão. Mas só até sexta. Sábado aquele lugar é outro. Qualquer um criticaria a minha tamanha falta de conveniência na escolha dos meus vocativos, principalmente agora. Ou nem tão principalmente assim. Que os sãos vivam considerando-me o oposto deles. Prazer sobra-me. Nem tudo deve ter motivos, por isso, questione sozinho sobre a razão de estar a conversar, imaginariamente, justo contigo. "Contigos", naturalmente. Embora até me cause estranheza, deu saudade de contar esses episódios inúteis, cotidianos. Sábado à noite as luzes estavam acesas e as mesas postas até o fim do limite das calçadas. Muitos turistas, música ao vivo e um frio congelante e suportável. No retorno da análise dos ambientes, foi ganhando forma a figura principal dos flashes posteriores. Sete. Alto e relativamente magro. Seis. Barba, cabelo um pouco bagunçado. Cinco. Olhos. Quatro. Olhos profundamente claros. Três. Os olhos se encontram. Dois. Um desvio. Um. Um encontro e outro desvio. Um encontro. O encontro. Meu desvio. Sua insistência. Meu sorriso. A boca entreaberta. Seu sorriso. Sua mão a bagunçar o cabelo. Seus olhos fechados numa espontaneidade de vontade. Viro a esquina. Ando alguns metros, entro no carro. Aquelas foram as frações de minutos mais intensas em conjunto com as luzes, as sombras e os ângulos que haviam mudado desde aquela vez. Lembra? Não? Pois bem. Contei os segundos. Nunca mais nos vimos.



mardi 7 juillet 2015

O assassino tem que dar seu tempo se quer ficar


O tempo para quem sofre e o tempo para quem causa o padecimento são sempre distintos. A urgência é do primeiro, o sufoco e o desespero. Não deixe que o segundo inverta os papéis.

O tempo para quem sofre passa empacado no remoer e esperar, pausado na história que pingou o sangue, mesmo que passeando por outras. O tempo para quem tomou um escorregão é sempre o tempo do precisar. Precisa de muita coisa do mundo que antes que não havia tamanha necessidade. Precisa de muito mais testes antes de dar uma nota, de muito mais labirintos antes de abrir uma porta, de muito mais evidências, de muito mais tempo. Precisa que até aqueles nos quais confia, deem uma nova amostra de que podem ser confiáveis. Precisa de um universo de comprovações, porque seus olhos não cansam de catar qualquer peça do hemisfério que possa causar um novo hematoma. Precisa que o criminoso faça algo para diminuir aquele impacto ou, no mínimo, precisa que alguém o ajude a fazer o tempo ser tempo de novo. Quem está nesse tempo é quem pode exigir, quem está nesse tempo é quem pode reclamar e indagar.

O tempo para o destruidor passa, mesmo que sentindo a culpa, mais brando. O matador não precisa de hospital, de remédio ou de explicação. Ele navega saudável pelas retas inclinadas. Não o pertence a falta de ar. Ele não tem direito ao protesto, não tem permissão honrosa para dar queixas. Ele tem um tempo que passa, um tempo que não o enche de dúvidas e itens que trituram seu relógio com o passado fazendo ecos inescapáveis. O tempo da revolta não o pertence, a sua obrigação é apenas a de afagar o tempo do sofredor ou de ir embora, não de se fazer de ferido também. Porque ele tem o tempo, para ele a vida anda, ele não precisa estancar o buraco.

Para quem sofre, um dia emenda no outro e a cama não significa uma pausa para um novo nascer do sol, é somente um descanso entre abrir o corte mais uma vez. Para quem sofre, o tema foco é sempre o mesmo, ainda que não seja citado. Para quem sofre sempre há o incômodo de tentar entender como pode o cruel continuar a dirigir. É sempre preciso parar no ponto que machucou e reler, é preciso que o malvado releia também. Não há uma paz total até que o vilão pare o seu tempo e volte para a injúria ou até que o tempo passe o suficiente para que aquele que sofre, já não seja mais sofredor. Mas ainda assim, mesmo depois de anos, mesmo após o tempo aprender a passar de novo, só quem pode fazer reivindicações sobre o tempo em que houve a mágoa, é quem parou seu tempo por estar debilitado, por estar doendo. Nunca, jamais, o assassino pode fazer requerimentos enquanto o espírito da sua vítima fala.

Quem tem que ter paciência não é o sofredor. Ele pode gritar o quanto quiser. O seu relógio está pausado no roxo da sua garganta. O sofredor é quem necessita. Ele não tem que esperar por nada, ele pode querer agora, ele pode querer com velocidade, é tudo emergência para quem tem a faca cravada em si.

Quem tem que ter paciência é quem feriu. Paciência para provar que pode continuar ali e para não dar um "ai" de objeção enquanto tenta se redimir. Paciência para ouvir as inúmeras vezes sobre o seu erro saindo da boca do golpeado, sem poder tentar se justificar por meio de deslizes alheios. Paciência para entender que o tempo de quem foi sofredor sempre fica um pouco parado e retrocedido. Paciência sem exigir, jamais, que o maltratado tenha paciência. Paciência para sempre ter tempo de ter paciência. E se o violento não tiver a paciência, é simples, tem que correr para a segunda e única outra opção: a de se mandar. E deixar, de longe, bem longe, que o tempo do ferido possa aprender a dar seus tic-tacs gradual e novamente, sem nunca voltar com algum grito de guerra sobre o tiro que cometeu.

O esfaqueador tem que dar seu tempo se quer ficar, se quer misericórdia. Tem que doar com gosto seus ponteiros para o ensanguentado, porque das horas do atingido ele já tirou uma parte.

O tempo para quem sofre e o tempo para quem causa o padecimento são sempre distintos. A urgência é do primeiro, o sufoco e o desespero. O machucado não deve permitir que quem não sabe entender seu alarme prossiga em seu tempo.


Saiba mais sobre esta autora clicando aqui.

lundi 6 juillet 2015

Sem título, com demasiado sentimento.




Tentei por muito tempo escrever esse texto. Amassei folhas e exclui pensamentos. Enchi os blocos de rascunho do meu celular. Não consigo. Alguns sentimentos simplesmente não podem ser traduzidos. Eu que sempre os expressei assim, agora aprendi: Tem coisa que dói demais pra conter em sílabas. Tem dor que é coisa demais pra caber no papel. Não cabe, não caibo, não cabia. Nunca coube em mim, eu sempre transbordei. Quis me dividir contigo. "Vamos, leve um pouco com você, sou pequena demais pra guardar tudo isso". Mas você também não tinha espaço pra mim. Pra onde eu transbordo agora? Pra quem? O mundo é pequeno demais pra minha grandeza.

Agora você foi embora. Sua buzina não soa mais na frente da minha casa cinco vezes seguidas, despertando todos os vizinhos. Eu já não durmo no seu peito e nem acordo com você me dizendo pra levantar logo pra não me atrasar pra escola. Teus beijos não são mais meus. Há semanas não sinto teu abraço. Teu cheiro, impregnado no travesseiro, no moletom velho esquecido no meu armário, é o que me faz te sentir mais perto. 

A rosa que você me deu, continua intacta na minha prateleira. Não tive a força de vontade de tirar teus rastros espalhados pela casa. Ainda tem o nosso retrato na estante da sala-de-estar. Nem você tirou da tua. Estive na tua casa uma tarde dessas, você não estava. Entrei no teu quarto e pude me despedir de cada canto. Abracei com desespero aquela tua camisa rosa, jogada sobre a cama, e chorei feito criança. Que tola. Dei adeus pra os teus violões pendurados na parede. Aqueles que costumavam carregar fotos minhas entre as cordas, agora tu tocas outro ritmo. A luminária que você me deu e me tomou por não ter pendurado, agora se esconde no quarto de hóspedes que ninguém usa, por debaixo de colchões e velharias. É o que somos agora. Luz ofuscada que já brilhou demais, mas agora se esconde em um quarto de hóspedes esquecido, apagada. 

Conformismo medíocre. Não me satisfaço em aceitar que nos apagamos. Você em mim é caneta permanente, é luz acesa, é ontem e hoje. Você em mim é amor. Hipocrisia seria dizer o contrário. O tempo de "você e eu" acabou, mas você em mim não, você em mim é tempo infinito. E ponto. 

Você está feliz agora. O vejo sempre sorrindo, e contando pros outros as piadas que eu já sei de cor. Você ainda me olha bonito, e fala bonito, e anda bonito. De longe, numa performance admirável que eu faço questão de assistir sempre, aqui do meu banco. Você é bom matemático e eu sempre fui boa na língua. Te expliquei umas três vezes as aplicações dos porquês. Junto, separado, com acento, sem. Você entendeu. Hoje eu não entendo. Não entendo os porquês. Não sei te explicar. Amor nem sempre é o suficiente, e esse é o grande mistério. Talvez um dia a gente descubra.

Enquanto isso eu fico aqui. Te assisto da primeira fileira, no canto, já sei seu papel de cor. Infelizmente, na peça que você escolheu atuar, eu não sou protagonista. As cortinas se fecharam, já não faço mais parte do teu show. Devolvo meu ingresso e saio de cena. Te amo quietinha, de longe, nos bastidores. Ninguém aplaude, a história não teve final feliz, e só. Não escrevo ficção, narro fatos. E contra fatos não há argumentos. As palavras já perderam o sentido... 

Quando nada mais inspira, a gente escreve sobre o quê?





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