O amor é dedicado em todos os âmbitos. O amor é cuidadoso fora de casa, na fila do mercado quando um ajuda o outro a pagar a conta enquanto ele a elogia para a moça do caixa. Diferente daquele cara, que comenta sorrindo para a mesma senhora sobre o quanto a sua mulher é insuportável e coisa e tal, só para arrancar umas risadinhas da desconhecida e elevar seu ego como quem tem um "irresistível senso de humor".
Quem ama não esquece de amar só porque o outro não está presente, e o amor é ação com postura. Amor mesmo é quando um está no trabalho e o outro em uma reunião informal de pessoas com as quais precisa "fazer média para fechar negócio", e quando nessa reunião alguém comenta algo como "Não acho que fulana vai ter tanto sucesso assim", o fulano, namorado/marido da tal, chega graciosamente, quase esquecendo de instigar o cliente sobre a sua proposta, e vai escancarando uma lista verbal que justifica a capacidade da sua amada para atingir sim um grau elevado de reconhecimento naquilo que faz, convencendo a todos do seu discurso através da vontade de fazê-lo.
Não existem distorções, mentiras e exacerbações para parecer engraçado ou tentar se enturmar com quem está comentando isso e aquilo de ruim sobre quem você deve querer bem. O amor é elegante. Ele faz com que os atos e as palavras sejam cautelosos, principalmente quando em público. Faz com que um pondere a imagem do outro como se fosse a própria. Faz política e propaganda sincera. Causa com que ambos tenham a sutileza e o respeito de não fazer nada que saiba ter o poder de ferir a conduta de quem se ama, vendendo sempre a melhor figura do(a) parceiro(a) e querendo ser o melhor desenho possível, para que combine com o que pinta e borda de bom do seu cônjuge.
O amor é refinado e laborioso. Quem tem um amor, amor mesmo, mal precisa de empresário para sair "vendendo o seu peixe", porque o amor exala admiração, e aquele namorado vai falar tão bem do talento da namorada que vai atrair bons interesses para ela. Ele nunca deixaria passar a chance de meter as caras para, com toda a persuasão possível, ir falar com os donos de uma gravadora, se a sua mulher canta.
O amor é a classe de se impor como o assessor de um candidato a presidente em época de eleição. E o tal candidato, é o seu amor. Os segredos daquele laço mantem-se preservados, e não há críticas pelas costas, porque a elegância exige que as partes ruins sejam debatidas no escritório do casal. O amor não só fala bem, como não permite que fale mal, a não ser entre as quatro paredes dos dois referentes, mantendo a arte da conversa para a vida saudável não virar um mar de dissimulações.
O amor é espelho. O amor conta as vitórias do outro, quer reconhecimento pelas glórias pessoais do parceiro e pelo amor que têm. É respeito não só pelo significado primordial da palavra, não só por não fazer o que não gostaria que consigo fosse feito, mas por fazer o que gostaria que por si fosse feito! Por adicionar o positivo além de ter limites para os negativos, por zelar por um pedaço próprio que anda por fora, e tanto quanto, por dentro. O amor zangado faz birra. Entretanto, cuida. Cuida mesmo de cara feia, cuida da figura do outro. Porque não se trata apenas do quanto se ama quando ama, e sim do quanto se ama quando odeia. E o empenho permanece. O amor magoado grita, perde a cabeça, porém jamais queima a extensão do ser em incertezas para as mentes alheias. O amor que já não reconhece seu amor, que foi ferido profundamente, até esse espera clarezas e prossegue em uma certa calma antes de berrar seu sangue. Porque nunca falaria mal de si sem antes saber. Nunca diria para o universo que perdeu naquela prova sem antes receber a nota. No máximo, no caso dos cortes mais profundos e imperdoáveis, alguém próximo ao casal (ou a um dos componentes) saberá, até que tudo seja confirmado e esclarecido. Somente alguém confiável, que não plantaria a "fofoca". O desabafo na procura de entender irá ser compartilhado. Contudo, ainda assim, não haverá a negação do que era contemplado anterior ao tiro, dos possíveis ângulos antes benéficos.
É porque é claro que existem os amigos que vão saber de um detalhe ou outro, aqueles confidentes que ganham reais conhecimentos para darem seus conselhos e apoios quando preciso for, mas até quando com eles, existe um certo equilíbrio nas falas cotidianas, algo que não restringe a admiração, que emite apenas o ângulo preocupado e dedicado de quem diz. Caso contrário, em uma difamação ou indiscrição desnecessária sobre o relacionamento com conhecidos aqui e ali, sem cuidado, sem preservação, na falta da elegância, no abandono do emprego (de ser o assistente, o secretariado do seu par): não está sendo amor, e quando o amor deixa de ser amor em algum momento, ah, meu bem... Nunca foi.
Atenção: No fim das contas, isso, obviamente, se inclui a todos os tipos de amores. Aos amigos, aos irmãos, aos pais, aos filhos, não só aos casais.

























