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jeudi 12 novembre 2015

Seja apenas um terço dos meus átomos...



Fui tão sua, que me esqueci de ser minha.

A beleza, de fato, vem de dentro pra fora. Tem gente que é tão florida por dentro, que ao estarmos perto, nos sentimos em um verdadeiro jardim. E essa, bem, não sou eu.
E te amar foi como ventos destrutivos atingiram minha alma... Eu transbordei tanto amor por ti, que preencheu tudo, sem deixar espaço pra mim. Hoje você ocupa todo o espaço da cama, do sofá, cada pedacinho de mim. Eu deixei né? A culpa foi minha e agora parece ser tarde... Não consigo arranjar um lugarzinho nesta bagunça. Está tudo do avesso, não consigo voltar.
Sabe quando você desaparece aos poucos? Eu sinto isso, como se estivesse em busca de um refúgio, mas não encontro. E não vejo outro caminho, simplesmente me perdi em algum lugar no meio do nada...
Quando você entrou em meu cantinho, minha alma simplesmente se retirou e se perdeu. Ainda a sinto por aqui, em algum lugar, mas também sinto que estou perdendo.
Amar a si mesmo é encontrar sua alma e enfeitá-la. Não digo que quero te arrancar daqui, não tem como, eu o amo e preciso de você pra florir, mas te deixar ocupar só um lado da cama, só um espaço no sofá e só um terço dos meus átomos.
Para te amar preciso, primeiro, me encontrar.


Confira mais textos desta autora Aqui

lundi 13 juillet 2015

A felicidade obriga a fazer propaganda


Não venha com essa trivialidade esfarrapada de que não devo gritar a minha felicidade e os meus vultuosos sentimentos aos quatro cantos, cinco mil ventos e trilhões de esquinas. Não repuxe o clichê de que a inveja tem sono leve e que é melhor não estampar os lados positivos por aí. Não acesse meu tímpano para discursar no pé do meu ouvido perito e calejado que o amor é algo tão íntimo a pronto de não necessitar ser demonstrado publicamente para ser sentido. Porque quando o seu time de futebol ganha, você faz postagens consecutivas, solta fogos e liga para Deus-e-o-mundo. Quando você está numa noite animada e com seu ego elevado, achando que o cabelo ficou bem naquele dia ou que a roupa estufou seu peitoral, você tira trinta fotos e faz publicações em tudo quanto é tela. Você é publicitário da sua alegria, como todos são. Então não diga para que eu faça o contrário, não diga que um sentimento deve ser retraído em endereços de quatro paredes apenas por receio de olhos-gordos. Se você firmar esta alegação, vai ser a prova de que, no fundo, não existe valor nenhum aqui a ser compartilhado.

Uma cobiça, ciúme alheio e/ou macumba de gente corrompível iriam fazer com que você parasse de praticamente escrever na sua testa sobre cada grande conquista do seu dia? Como quando subiu de cargo e tirou aquela foto com seu novo terno, largando pela legenda a novidade-feliz. Você diz que fulano-da-empresa-tal é invejoso e que não sente uma boa energia em cicrano, sabe que eles podem ver esse seu mundo explicitado e, ainda assim, você não evita jogar na cara do cosmo inteiro o que tem o feito bem, o que aumenta sua vaidade.

E o que seria do amor ou de qualquer sentimento grande o suficiente para ser levado a sério, sem a admiração? Sem a sensação do bem-estar, do orgulho em ter quem tem do lado. E o que seria do orgulho sem a ânsia de espalhar o motivo pelos chãos onde pisar? Tudo o que faz bem é dito, é mostrado sem medo, é a nossa torta na cara do mal e não estamos nem aí.

Concordo sim que antes daquela realização é bom não cantarolar a informação para quem não confia. Não é só a questão das cargas energéticas que os outros vão enviar e que podem ter consequências (e tem gente que nem acredita nisso), mas é a prevenção mesmo, de daqui a pouco dar tudo errado e ter um bando de gente que ao invés de só entender e lhe dar força, vai caçoar e emporcalhar a sua figura por trás. Mas no caso do amor não é assim. No caso do que já existe não é assim. No caso de qualquer relacionamento não é assim!

Um relacionamento não é baseado apenas no seu resultado final e, normalmente, olha só: Quem sai ferido é quem mais ganha. Porque, geralmente, quem se machuca não é quem foi sem princípios, sem garra ou sem paciência. Então não tem como sair perdendo completamente em algo assim, não tem como temer o que os outros dirão, porque não há total vitória ou derrota. Não tem desculpas para não querer contar para o mundo. Só não fazemos publicidade do que não nos dá um completo regalo ou, ao menos, do que não alcança uma imensa satisfação.

Só não lançamos algo no mundo quando existem mais dúvidas do que afetos, porque mesmo antes do seu time ganhar, você não esconde de ninguém para quem torce e a sua alegria esbanjada pelo desejo de que vença o seu preferido. É simples. É básico. E eu sei bem: Todos somos marqueteiros do que nos dá agrado com entusiasmo... E se não somos, não é pela desculpa pilantra do medo das invejas, porque elas sempre estão de olhos abertos e isso nunca nos fez deixar de tacar nossos açúcares nas suas retinas. Quando não fazemos o comercial é porque falta. Falta algo ali para que achemos que aquilo vende bem, para que achemos que combina conosco, para que achemos que merece nosso prezar orgulhoso. Ninguém vende o que não acredita ser bom produto quando tem opção. E eu não viro cobaia de quem faz questão de calar meus pareceres.

A felicidade obriga a gente a fazer propaganda. Se não, não é felicidade inteira. Faz parte dela o gosto de contar com o orgulho.

Amor não explícito não é amor. Paixão não explícita não é paixão. Faz parte do respeito berrar os imensos por aí. Tudo o que é enorme precisa ser externizado por não caber. Tudo precisa do testemunho, e nesses casos precisamos de plateia para garantir o documento, não para ouvi-las, mas para que elas nos vejam, e basta. 

Os gigantes não são influenciáveis a ponto de uma falácia os derrubar. E mais do que isto: Os gigantes não tem temor do que vão dizer, só vive em prevenção quem tem culpa no cartório. Quem esconde não sente. Quem mostra não mente.

A inveja ganha é de quem dorme demais. E quem dorme demais é quem tem medo, ou melhor, gaseificadas incertezas. E quem tem incertezas a ponto de dizer ser medo, não sente algo maior que o pânico. E quem não está sentindo algo maior que o pânico, realmente não merece me gritar ou ouvir meus homenageados berros nas escadas de uma campanha que é fraca demais para a minha capacidade publicitária. Já que, tudo tem um pouco de terror, mas é só chegar uma gotícula de real glória e pronto, dá vontade de contar para lá e para cá. E quem não é a glória de quem está ganhando seus outdoors, não deve acreditar em falso investimento para pouca propaganda. 


Confira mais uma das crônicas desta autora: "O que querem as mulheres", clicando aqui.

samedi 11 juillet 2015

Como amar alguém se não amo nem a mim mesmo?

"Amo, não nego, demonstro quando for recíproco."

Por muito tempo eu tentei, de todas as formas, provar meu amor por ti. Era tão forte, tão intenso tudo que senti, que até me esqueci que eu teria que ser amada de volta, e na mesma proporção, pra dar certo. 
Tantas vezes pedi pra ficar, lutei tanto pra que tudo mudasse e você se mudasse pra cá, pra bem perto de mim. A minha saudade era tão grande, doía tanto, que não notei que você não sentia saudades de mim, que não fazia questão da minha presença, era "tanto faz".
Fui tão sua, caí no teu abismo, me entreguei de corpo, coração e alma à ti e me esqueci de ser minha, me perdi em ti e não encontrava o caminho de volta pra casa, para novamente habitar meu corpo.
Eu te amei tanto, rapaz, que não sobrou nem um tantinho desse amor pra mim. Esqueci totalmente de me amar. E eu pensava que esse amor era pra ser meu! Por isso tanto lutei... Mas notei... Como amar alguém se não amo nem a mim mesmo? Ainda não sei se foi amor, mas sei por que não deu certo, eu não me amei o suficiente pra te amar de forma moderada e o sufoquei. Por não ter retorno desse amor, me culpo! Meu coração foi egoísta e deu-lhe todo o amor que ali havia e se esqueceu de alimentar minha alma.
Tive que deixar você partir pra encontrar o meu “eu” e amá-lo, dedicar, primeiramente, às minhas coisas, aos meus sonhos, à minha vida, pra depois me dedicar-me a alguém. Não sabia fazer isso, foi um tanto complicado aprender o tal do “amor próprio”.
Calcei meus sapatos e parti em busca desse amor. Curei-me. Aprendi a me amar. Hoje olho pro passado e vejo o quão humilhante foi implorar pelo o amor de alguém que não fazia questão de ser amado por mim, não fazia questão do meu amor e que nunca pensou em me amar de volta.
Meu coração não parou de buscar alguém pra amar, de um palco para declamar todo o seu amor, desde que tenha alguém para aplaudir, jogar flores e desejar aquele amor declamado ali. Nunca vou me perder do amor por mágoas do passado.
O amor faz parte do meu ser e nunca negarei amor a alguém que me ame. E quando meu coração encontrar alguém pra chamar de amor, eu esbanjarei todo meu amor a ele, dedicarei todos os meus versos, o amarei a cada segundo do meu dia, só não vou esquecer-me de me amar em primeiro lugar.

Confira mais textos desta autora Aqui

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