jeudi 19 novembre 2015

O AMOR É ELEGANTE


O amor é cuidadoso, altruísta. Cuidado que não se limita apenas nos momentos de uma febre ou dor de cabeça, que não fica ali somente na cama e no sofá, quando a sós. É o zelo que não se resume apenas ao remédio dado na madrugada em que ambos ficaram em claro pela virose de um, ou pelo dia em que ela largou seu trabalho inacabado por conta da tristeza dele ao perder aquele cargo tão importante. É o amparo que não condiz unicamente às situações em que as prioridades mudam pelo outro e esses fatores são, então, contemplados juntos, no seu ninho.            

O amor é dedicado em todos os âmbitos. O amor é cuidadoso fora de casa, na fila do mercado quando um ajuda o outro a pagar a conta enquanto ele a elogia para a moça do caixa. Diferente daquele cara, que comenta sorrindo para a mesma senhora sobre o quanto a sua mulher é insuportável e coisa e tal, só para arrancar umas risadinhas da desconhecida e elevar seu ego como quem tem um "irresistível senso de humor".         

Quem ama não esquece de amar só porque o outro não está presente, e o amor é ação com postura. Amor mesmo é quando um está no trabalho e o outro em uma reunião informal de pessoas com as quais precisa "fazer média para fechar negócio", e quando nessa reunião alguém comenta algo como "Não acho que fulana vai ter tanto sucesso assim", o fulano, namorado/marido da tal, chega graciosamente, quase esquecendo de instigar o cliente sobre a sua proposta, e vai escancarando uma lista verbal que justifica a capacidade da sua amada para atingir sim um grau elevado de reconhecimento naquilo que faz, convencendo a todos do seu discurso através da vontade de fazê-lo.         

Não existem distorções, mentiras e exacerbações para parecer engraçado ou tentar se enturmar com quem está comentando isso e aquilo de ruim sobre quem você deve querer bem. O amor é elegante. Ele faz com que os atos e as palavras sejam cautelosos, principalmente quando em público. Faz com que um pondere a imagem do outro como se fosse a própria. Faz política e propaganda sincera. Causa com que ambos tenham a sutileza e o respeito de não fazer nada que saiba ter o poder de ferir a conduta de quem se ama, vendendo sempre a melhor figura do(a) parceiro(a) e querendo ser o melhor desenho possível, para que combine com o que pinta e borda de bom do seu cônjuge.              

O amor é refinado e laborioso. Quem tem um amor, amor mesmo, mal precisa de empresário para sair "vendendo o seu peixe", porque o amor exala admiração, e aquele namorado vai falar tão bem do talento da namorada que vai atrair bons interesses para ela. Ele nunca deixaria passar a chance de meter as caras para, com toda a persuasão possível, ir falar com os donos de uma gravadora, se a sua mulher canta.                

O amor é a classe de se impor como o assessor de um candidato a presidente em época de eleição. E o tal candidato, é o seu amor. Os segredos daquele laço mantem-se preservados, e não há críticas pelas costas, porque a elegância exige que as partes ruins sejam debatidas no escritório do casal. O amor não só fala bem, como não permite que fale mal, a não ser entre as quatro paredes dos dois referentes, mantendo a arte da conversa para a vida saudável não virar um mar de dissimulações.            

O amor é espelho. O amor conta as vitórias do outro, quer reconhecimento pelas glórias pessoais do parceiro e pelo amor que têm. É respeito não só pelo significado primordial da palavra, não só por não fazer o que não gostaria que consigo fosse feito, mas por fazer o que gostaria que por si fosse feito! Por adicionar o positivo além de ter limites para os negativos, por zelar por um pedaço próprio que anda por fora, e tanto quanto, por dentro. O amor zangado faz birra. Entretanto, cuida. Cuida mesmo de cara feia, cuida da figura do outro. Porque não se trata apenas do quanto se ama quando ama, e sim do quanto se ama quando odeia. E o empenho permanece. O amor magoado grita, perde a cabeça, porém jamais queima a extensão do ser em incertezas para as mentes alheias. O amor que já não reconhece seu amor, que foi ferido profundamente, até esse espera clarezas e prossegue em uma certa calma antes de berrar seu sangue. Porque nunca falaria mal de si sem antes saber. Nunca diria para o universo que perdeu naquela prova sem antes receber a nota. No máximo, no caso dos cortes mais profundos e imperdoáveis, alguém próximo ao casal (ou a um dos componentes) saberá, até que tudo seja confirmado e esclarecido. Somente alguém confiável, que não plantaria a "fofoca". O desabafo na procura de entender irá ser compartilhado. Contudo, ainda assim, não haverá a negação do que era contemplado anterior ao tiro, dos possíveis ângulos antes benéficos.      

É porque é claro que existem os amigos que vão saber de um detalhe ou outro, aqueles confidentes que ganham reais conhecimentos para darem seus conselhos e apoios quando preciso for, mas até quando com eles, existe um certo equilíbrio nas falas cotidianas, algo que não restringe a admiração, que emite apenas o ângulo preocupado e dedicado de quem diz. Caso contrário, em uma difamação ou indiscrição desnecessária sobre o relacionamento com conhecidos aqui e ali, sem cuidado, sem preservação, na falta da elegância, no abandono do emprego (de ser o assistente, o secretariado do seu par): não está sendo amor, e quando o amor deixa de ser amor em algum momento, ah, meu bem... Nunca foi.   

Atenção: No fim das contas, isso, obviamente, se inclui a todos os tipos de amores. Aos amigos, aos irmãos, aos pais, aos filhos, não só aos casais.

Crônica postada no SEMQUASES.COM
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