jeudi 19 novembre 2015

Eu acordei em outra cama


É claro que um dia eu me perguntaria o que há de errado em declarar qualquer forma de amor não correspondido. Apesar de nunca ter segurado a língua ou a caneta para esse tipo de coisa, sempre vi todos a minha volta engasgando com aquelas palavras que não saiam nem entravam. Só fazia mais confusão do que um simples e frio não. Até porque é aquela velha história: "o não você já tem". E não há frase com a qual eu mais concorde. Já ganhei e já perdi muita felicidade entre as cartas e poesias que clamavam pelo amor. Mas se de tudo eu decidisse contar, certamente afirmaria que ganhei muito mais sorrisos do que lágrimas. Porque o risco é palavra chave para se amar. E se teve algo que fiz por sentir demais foi arriscar. Arrisquei perder o tempo, acabar com a paz da família, virar as madrugadas, zerar as provas de francês, cortar o cabelo, chorar ouvindo Chico... Arrisquei riscar os discos, beber demais naquela festa, fugir de casa, costurar os botões da sua camiseta, não terminar de escrever um livro, contar os dias para dezembro. E dezembro não chegou. Mas eu arrisquei mesmo assim. E não me arrependo nem um pouco. Porque enquanto era tudo apenas um risco, foi intenso, foi completo, foi maravilhoso. Foi tudo o que eu não trocaria por ter me privado de qualquer uma dessas possibilidades. Afinal, apesar dos pesares, só dezembro não chegou. Mas vai chegar, esse e outros pelos quais ainda não corri riscos. E talvez eu arrisque janeiros ou marços da próxima vez. Porque no meio de todos esses meses, eu acordei em outra cama que não a sua. Em outra cidade que não a nossa. Em novembro que não dezembro. É um risco, eu sei. Amém.

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