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samedi 31 mars 2012

Eu Comigo Mesma

Orgulho de blogueira: A Gabi conhece o Antes de Sonhar há pouco tempo... mas já fez um post super lindo que vale a pena conferir, com a indicação de 5 blogs que ela gosta! Não é de ficar super honrada? Conhece o cantinho dela!

Estou procurando no céu algo pra me salvar, 
Procurando um sinal de vida
Procurando algo para me ajudar a acender o brilho
(Learn to Fly – Foo Fighters)
Quem tem asas, voa e volta o tempo todo. E para ser mais específica, eu o faço sempre. Talvez jamais entenda como cheguei até aqui e quais caminhos escolhi. Não exijo explicações: eu voo. Já compreendi que a parte de mim que me traz a lugares desconhecidos, é a mesma que não quer tirar os pés do chão. Estremece à altura, rende-se à adrenalina. Minha mente leva em si devaneios, de alguns poucos anos bem feitos e vividos, ainda a procura de saber. O que sei? E não acabo de saber nada.
Continuo a voar.
Penso que não consigo. Tomo altura, a velocidade é gradativa. Do alto, as pessoas se tornam insignificantes, como o amontoado de formigas que daqui de cima se parecem. Acumuladas a movimentar-se sozinhas, pouco representam. Ainda não consigo encontrar meu lugar, a nuvem mais alta quase a tocar estrelas, onde posso levar meus pensamentos além dos limites azuis desse céu. Recordo de, reprimida, não alçar voo. A lembrança é vívida e nítida: o esquecimento, as distrações a ofuscar-me e mais algum de sinal de que logo necessito de voar. Longe da superfície, o pensamento é claro: sou inatingível. 
Realmente, não é uma mera coincidência de que só daqui existam palavras.
Não há lugar para ir, não há casa que console o desamparo e o desatino da liberdade. Deixem-me!, pede dentro de mim a razão. A emoção apenas concorda: afinal, livre também pode sentir. Estamos todos kits. Eu comigo mesma. Não posso lhe pedir que me entenda, só que aceite. Preciso do voo gracioso, do vento a roçar a pele, no arrepio de desejos realizados. Já à noite, a escuridão sequer me afeta. Por dentro está claro demais e suficiente que resplandeça à face que sim, estou e vou muito bem. Assim, da forma como estou. Distante, eu sem ti, tu sem mim. Simples. E não, isso não é um momento sensível – por mais que existam indícios do contrário.
A verdade é que antes eu já não me reconhecia. 
É arrogante ter um peito apaixonado. De fato, render-se é uma etapa fácil demais e logo não há voltas. Era o que eu pensava. Ou melhor, o pouco que pensava. Preferia aceitar. Não indagava quando naquele dia senti  o coração com alguém dentro. Fisicamente impossível para os meros terrestres. Por isso eu vivo nas nuvens. Acredito em peitos que transbordam de pessoas, num grande aglomerado de almas importantes, que amo sem pouco negar. Não nego que amo e incrivelmente gosto disso. Gosto da sensação repentina de ansiedade, o apego e a utopia de futuros improváveis. Gosto de saborear a minha própria capacidade de atingir limites. Gosto do drama e da forma como quem não me conhece, pensa que vivo. Nunca se permitiram a tirar os pés do chão para conhecerem a vida daqui de cima. Não sonham, por favor e obrigado. Eu, diferente de maiorias desiludidas, o faço antes mesmo de perceber: ah, sonhar. 
Voo e volto. Não tenho hora para estar ou quando voltar.
Prefiro o amor – doce, pouco sutil, indiscreto. Voar sem amar é como implorar em silêncio: nada adianta. Minha súplica é por um pouco mais de velocidade, acelere. Mais alto, mais rápido!, vá mais longe. Eu consigo. Eu comigo mesma, já estou fora de alcance até de mim. E não há nada de errado. Já não sou mas só existo porque ainda sinto. As palavras fluem tão intensamente que já não ouço meus pensamentos. Agora é menos uma hora de espera, não volto para casa antes de concluir, com toda a certeza, que esse é a maior distância que já tive de tudo. O arrepio que me percorre é certeiro, os poucos gestos refletem a paz interior que toma meus corpo. Nunca estive tão longe de tanto e tão próxima de mim mesma. Transpareço as evidências, em toda minha sã consciência, não quero voltar. Já nem me pergunto para quê partir. Eu voo, mas não vou nem volto. Posso ser se eu quiser. Amar se for meu desejo. Escrever se necessário. Refletir  se encontrar meu consolo. Assim estou muito bem. Tudo porque sei que daqui eu consigo.
Sobretudo, nada me impede. 
Eu posso voar.

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